Moradia no bairro Rabelão, sede do município de Turiaçu, Maranhão, em terreno adquirido de terceiros, construída pelo sistema de empreitada, onde residiam, à época da pesquisa, avó e sua neta, vivendo de aposentadoria e prestação de serviços no salão de cabelereiro que funciona no térreo da edificação.
A moradia de madeira é uma tradição na região amazônica do Maranhão, onde o acesso livre à exploração dos recursos florestais e o valor utilitário dos diferentes tipos de árvores foi disseminando um saber para produção de mobiliário, utensílios e casas. A proliferação de pequenas serrarias nas periferias dos centros urbanos, aptas a beneficiar a madeira e possibilitar diferentes padrões de cortes para confecção de tabuas para assoalhos e esquadrias, permite executar construções a partir de estruturais para vedação vertical e horizontal, se combinam com o engradado para coberturas e paredes. A palafita rural, adotada em áreas ribeirinhas e inundáveis, se transfere para as beiradas urbanas de muitas das sedes municipais da região maranhense, passando a experimentar um processo de qualificação quanto às dimensões, formas e acabamentos, mais ou menos influenciado pelo meio urbano (KAPP; BALTAZAR, 2021
1999
BURNETT, F. L. (Org.) Arquitetura como resistência: autoprodução da moradia popular no Maranhão. São Luis: Editora Uema/Fapema, 2020.
MONIZ FILHO, M. F.; OLIVEIRA, G. S.; BURNETT, F. L. Palha, Madeira, Terra. Projeto e Construção da Arquitetura Popular no Maranhão. Teresina: Cancioneiro, 2022.
KAPP, S.; BALTAZAR, A. P. Vernacular Metropolitano. In KAPP, S.; BALTAZAR, A. P. (Orgs.) Moradia e outras margens, Volume 2. Belo Horizonte: MOM, 2021, p. 339-350.